January 3, 2006 - O bl bl bl e as eleies
Posted by Trista Vere
O bl bl bl e as eleies
Dbora Soares
As eleies presidenciais de 2006 no prometem fortes emoes. J sem esperana, e com muito medo, o povo brasileiro caminha a passos arrastados rumo ao que provavelmente ser uma das eleies mais insossas da histria do Pas. Num cenrio poltico onde heris transformam-se em viles e viles em anti-heris, o conto de fadas do governo Lula ganhou a aparncia de pesadelo para o eleitor. O desfigurado prncipe Lula est agora isolado em sua prpria torre, qual Rapunzel. As fadas petistas transfiguraram-se em bruxas tucanas. E os duendes, bem, os duendes continuam duendes, no fazem muita diferena na estria.
Lula faz doce quanto ao anncio da sua previsvel candidatura reeleio em 2006. A "indeciso" do presidente chega a provocar risos. como se quisesse dizer que vai arrumar a cama pra no deitar nela. Mobiliza o governo, que escancara os bolsos com gastos em investimentos sociais para "mostrar servio" no ltimo ano de gesto lulista; encomenda planejamentos e metas para alm de 2006; analisa atentamente suas chances na nova disputa presidencial e j faz preparativos para a campanha eleitoral...Mas o Lula, coitado, ainda "no sabe" que deciso tomar.
Alis, as aparentes "incoerncias" do presidente, no so de hoje. Durante a sua gesto, o presidente Lula parece ter sido acometido de algum tipo de esquizofrenia, cujos sintomas agravaram-se ainda mais no terceiro ano de governo, coincidncia (ou no) com a fase negra do estopim da crise poltica. Segundo Lula, ele prprio foi perseguido implacavelmente pela cruel imprensa e pela oposio golpista. Viles que s ele, e provavelmente os "puros de corao", seriam capazes de enxergar.
A Oposio outro captulo parte. Majoritariamente compostos pela Direita brasileira, os opositores ao governo Lula julgam ter sado de alma lavada da recente crise do governo. Segundo o discurso de muitos no congresso e a fala de milhares nos bares, "parece que a corrupo nasceu com o PT". Cordeiro Lula que tira os pecados da Direita. Tentando se vestir dessa nova fantasia, a Oposio lembra a imagem desengonada de uma velha gorda, que insiste desesperadamente em ajustar no corpo rolio um vestido trs nmeros menores que o adequado.
Entre os que combatem Lula, os pr-candidatos s eleies de 2006 que tm a maior probabilidade de meter o dedo no suspiro da reeleio do presidente so os sob a legenda do PSDB. Feras tucanas de peso, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Jos Serra disputam por debaixo dos panos a candidatura presidncia pelo partido.
Alckmin j saiu do armrio e tornou pblico o seu desejo de se candidatar como presidente, inclusive, mal deixou claras as suas intenes, j entrou no esprito de campanha e comeou a dar suas alfinetadas no governo Lula, s pra aquecer. Serra ainda demonstra dvidas a respeito da prpria candidatura, ficando no suspense do vai, no vai. H quem diga que isso apenas estratgia eleitoral do prefeito de So Paulo, que est quieto, de tocaia, s esperando que a sua candidatura acontea por presso do prprio PSDB, por conta da popularidade de Serra.
Ainda na prateleira pr-eleitoral, ofuscados por Lula e os tucanos Alckmin e Serra, encontram-se Anthony Garotinho e Helosa Helena. A candidatura de Garotinho ainda incerta para o PMDB, pois ainda h a possibilidade de o partido formar aliana com a turma de Lula. J os eleitores mais idealistas, da Esquerda desiludida, ainda podem buscar abrigo debaixo das saias imaculadas da senadora Helosa Helena, do PSOL. Alguns acreditam que a senadora, com sua aura de combatividade e honestidade, pode tornar-se uma surpresa na eleio de 2006.
Ainda com outubro de 2006 longe, o que sepode adiantar a constatao de que o eleitor j no espera mais eleger o salvador da ptria. Amadurecido pelas desagradveis experincias anteriores, o brasileiro no se confia mais em apenas um nome na hora de votar. O histrico poltico (e quem sabe at pessoal) dos candidatoscertamente ir pesar na hora da escolha do prximo presidente. Que o trauma proporcione mais sabedoria poltica ao nosso Brasil, pas onde uns fingem que governam enquanto outros fingem que acreditam.
(Artigo de opinioescrito em 02/01/2006para a cadeira de Jornalismo de Opinio)
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